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A falta de professores é um dos problemas mais persistentes do sistema educativo português. Segundo a Fenprof, persistiam «2650 horários em oferta de escola que correspondem a mais de 50 mil horas» por preencher a poucos dias do arranque do ano letivo 2026/2027. A escassez concentra-se sobretudo em certas regiões: o presidente da ANDAEP descreve-a como um fenómeno «muito localizado em Lisboa, Setúbal e no Algarve». A Fenprof sustenta que faltam professores porque não há docentes disponíveis para as vagas existentes, e aponta o aumento das aposentações. O Governo quer responder com alterações ao recrutamento e à colocação, mas estas só deverão entrar em funcionamento em 2027/2028.
Em Cascais, o custo da habitação dificulta a fixação de docentes colocados longe de casa. Desde 2024, o município disponibiliza alojamento a professores deslocados. O Regulamento Municipal de Acesso à Habitação para Docentes usa imóveis adquiridos ao abrigo do direito de preferência previsto no Decreto-Lei 89/2021. Os contratos têm a duração de um ano letivo. Para os docentes a mais de 60 quilómetros da residência oficial, existem contratos nas modalidades de «parte da habitação» e «habitação», a 250 € por mês. Existe também alojamento temporário, através de protocolos com entidades como os Maristas de Carcavelos e as Irmãs Hospitaleiras. O programa, com investimento de 1,8 milhões de euros no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, prevê 105 alojamentos.
Este ano, as candidaturas abertas em agosto destinam-se a docentes que venham exercer funções nas escolas do concelho em 2026/2027. Se sobrarem alojamentos, poderão ser alargadas a docentes do ensino privado. A questão é relevante porque a falta de docentes afeta diretamente as aprendizagens e a preparação dos alunos para os exames nacionais.